quarta-feira, novembro 14, 2012

Estrelas


Estive a noite a olhar estrelas.
Mas de forma um tanto peculiar,
uma atrai-me mais que as outras.

Não possui um brilho vulgar.
Pulsa tão calma e lentamente,
que me parece querer se apagar.

No seu momento ascendente,
destaca-se de forma magistral
afirmando toda sua força imponente.

E em seguida, de forma tão natural,
tendo demonstrado todo resplendor,
volta humilde pelo umbral.

Declina ao torpor
com igual maestria e beleza.
Impõe e segue o seu próprio rigor.

Invejosas de sua proeza,
tentam ofuscar-lhe, as outras.
Estrelas sem a mesma nobreza.

Caem sobre essa como feras.
Mas todo esforço enfim, é vão.
Minha estrela brilha por eras.

sábado, novembro 10, 2012

Poema do fim do amor


Pela segunda
e eu espero ser a última
desisto do amor 
resigno em minha dor
cansado de tentar 
O Fim representar
(não quero confrontar)
 Desejo: desligar.

Porém, o que fazer 

não sei mais o que ser.
Já tudo tentei pouco
e pra sempre serei louco.
Não quero me encaixar,
estou sempre a vagar.
Descontente 
de repente
Infeliz, inquieto, Ingrato, 
andarilho, insensato 
a andar insatisfato 
a cuspir no próprio prato. 

 Felizes são os que Vivem sem porque


  E eu ando e desando

 a ouvir tanto desmando
 no meu corpo tanta raiva
 tanto ódio que se esvaia
 No capricho, no esgueiro
 Anda a sombra o dia inteiro
 Esperando um deslize.  
 Sentimentos que um dia
 foram toda alegria
 Nestes tempos vem em mente
 a deixar meu ser doente.
 Livre passe encontraram
 no meu cérebro fanfarram
a causar tanto barulho 
que eu hoje nem mais durmo
e assim sigo em frente 
Vivo, vivo e doente.

sexta-feira, outubro 19, 2012

A um piscar

-
Em um breve momento de descanso
Cada segundo passa como uma vida
Impercepitivel, mas essencial
Tão incomun, mas porém real
-
É tudo simples e conciso
Lembrando uma bela paisagem
Tão quieta e tão imovel
Que não parece estar passível ao tempo
-
Tantas sensações em um breve momento
Parecendo uma bela e melancólica sinfonia
Passando desapercebida como um piscar de olhos 


Marcone Melo

sexta-feira, outubro 05, 2012

Consolação



Na rua da Consolação
lá encontro inspiração.

Entre a Rua e o cemitério
As árvores e o deutério
A paz dos mortos
e o som das motos
O contraste da rua
e da alma nua.
O buzinar dos carros
e o trepidar dos passos
Enquanto desço
muito penso
Entre a parede e as árvores
escondidas lápides
Esculturas, mármores
e o silêncio etéreo
                                               dos que ali se encontram
                                               e não mais se confrontam
                                               E no descanso eterno
                                               não há mais inferno.

quinta-feira, agosto 23, 2012

Menina






Que olhar é esse?
Que vejo todo dia sem me notar
Que olhar é esse
Que revela tal beleza de maneira incrível

E eu aqui, na minha humilde poltrona observo
E eu aqui, na minha humilde mente, imagino
O que as vezes é severo
Você passa direto

O que as bocas falam pode não ser verdade
O que a mente fala pode ser bobagem

Mas eu digo uma coisa séria
O que aconteceria se nós dois estivéssemos perto?
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-Luís F. Tolonei

sábado, agosto 11, 2012

Na praça

 

Na praça
sem graça
sem nada
estou eu.

No meio da praça
sentada
fantasma
sou eu.

por dentro
tormento
no vento
estou eu.

cansada
usada
na praça
fui eu.

Alçadas
as asas
calcadas
vou eu.

E livre
sozinha
sem linha
voo eu.

Desgraça
que passa
com asas
voo meu.

domingo, julho 29, 2012

Dor e circo




Detrás de cada janela vejo um circo em pleno espetáculo. Mas, diferente de circos convencionais, o objetivo é entreter quem nele encena; jamais quem o assiste. E talvez seja o que o torne tão mais interessante de ser assistido. Fora isso, em tudo se assemelham. Comédias e tragédias, piruetas e quedas, números arriscados e duvidosos. Também não sei quanto aos demais, mas as tragédias são as que me causam maior admiração. Não pelo prazer sádico, mas pela capacidade de absorver-lhes as sôfregas experiências.

Por mais que o homem fuja à dor, essa sempre o persegue. Mas para aquele que é capaz de suportá-la, a esse pode ser entregue o deleite da sabedoria, que sempre acompanha essa detestável e desesperadora condição. Mas o que é a dor? Pode ser medida? Pode ser comparada? Posso dizer que a dor física supera a dor da alma, ou que essa supera a anterior? Fato é que, para quem a sofre, ela é sempre superior a qualquer outra.

Mas de volta aos espetáculos. Observe como boa parte desses traça uma eterna fuga ao sofrimento, e tudo o que lhe condiz. Acovardados pela incerteza ou motivados por prazeres mais simples, se rendem à simplória busca pelo entretenimento facilitado e seguro. Que felizes sejam, mas não há muito valor em observá-los. Exceto nas irônicas ocasiões onde, sorrateiramente, a dor lhes recai. Há ainda aqueles que, na busca pelo deleite maior, cedo ou tarde se esbarram com nossa detestada e inevitável protagonista. Mas, despreparados para o encontro, ou demasiado fracos, se destroem em pranto. Uma venerável demonstração da força que possui nossa personagem, a dor.

E finalmente, os mestres da tragédia. Homens que demonstram seu valor e virtuosismo, a cada provação a que são submetidos. A superação dos próprios limites é como uma característica inata a esses. E é a esses que me agrada a observar e absorver. Como um parasita e voyeur, nesse circo de horrores.

Por fim: não há dor que possa refrear o desejo copioso do homem austero.

domingo, abril 01, 2012

Droga

Ela atrasou, e ele se irritou profundamente
já eram dez, e as nove ele já estava presente
No tal lugar marcado
Só tinha companhia dos pássaros
E a breve sombra de quem ia ali pegar o ônibus
-
Ela disse que ia ser legal e começou a rir
Ele não sabia pois planejava dormir....
-
Finalmente chegou, esculpida pela noite
Rosto de mármore, valeu a pena esperar
Os risos e as bebidas se confundem
E o ópio do perfume te induz
A dizer coisas, que não pensaria dizer...
-
(Ou talvez era o álcool...)
-
Mas fato que a ressaca dessa droga não passou
E com os dias passando ela aumentou
Você se sentia mais forte e disposto
Embora, depois de um ano, quando tudo separou
Você se senta ali, escreve, parecendo um morto...
-
E você denota, colocando os pingos nos seus lugares
"A droga, era o amor..."
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-Luís Fernando Tolonei

sábado, março 31, 2012

Ruidoso Pensamento

Penso, como sempre pensei, ser o primeiro a pensar como penso. Mas fico tenso se descubro que o que penso já foi pensado por alguem. Se ao menos tivesse o bom-senso de saber que chegamos a um consenso, eu e quem comigo pensou, talvez fizesse mais intenso, o que penso, e que alguém também já pensou.

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Lampejos ao mar

Ouça pelo cais, como batem, os barcos; O rito sonoro pelo qual o mar saúda os navegantes. Sinta o mormaço queimar seu rosto; Desespero nublado à brisa marítima. Caos verbal na linha tênue entre noite e dia; Poucas horas revelam o que a vida inteira levou pra esconder. A lua, trêmula, sobre as águas; Percorre, incansável, sua tragetória; dia após dia. O primeiro raio de luz já anuncia o sol; As horas se consomem, umas sobre as outras. Enfim, é hora de deixa-lo, caro amigo. Muita luz e muita gente ofuscam suas belezas.