vaga a noite;
noite vaga
no escuro
do umbral.
Baixa a voz;
cabeça baixa
doce gesto
angelical.
Ouça o silencio;
silencia a alma
no deleite
carnal.
Dorme em paz;
deita e faz
memorável
o final.
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sexta-feira, janeiro 10, 2014
sexta-feira, abril 26, 2013
Declive
Descontrole-se por um instante;
O ínfimo suspiro da eternidade;
Um trajeto cruel e inconstante;
O grito de desespero da vaidade.
Percorra calado, o declive.
De olhos fechados, inclusive.
Não seria este, o momento?
Aquele pelo qual tanto espera.
Pois então corra, como o vento.
O que à sua bela ideia dilacera
é simplesmente o seu medo.
Desça enquanto ainda é cedo.
Mas como assim você não pode?
Será algum rastro de pudor?
Logo será por demais tarde.
Anda! Desperte desse torpor.
Ou será isso afinal. O que aguarda?
Terminar feito gado de engorda?
Rá! Agora tudo soa mais claro.
O que falta desta vez? Uma carruagem?
Veja como mais pareces um escarro
em plena adoração da própria imagem.
Diante do caminho sempre percorrido
minha presença causa-lhe alarido.
Fuja já, criatura desesperada.
Desça até o fundo, o seu declive.
O destino de sua estúpida jornada
é a morte de tudo o que ainda vive.
Mas é claro que isso não importa.
"Temos diversão à nossa porta".
terça-feira, fevereiro 07, 2012
Lampejos ao mar
Ouça pelo cais, como batem, os barcos;
O rito sonoro pelo qual o mar saúda os navegantes.
Sinta o mormaço queimar seu rosto;
Desespero nublado à brisa marítima.
Caos verbal na linha tênue entre noite e dia;
Poucas horas revelam o que a vida inteira levou pra esconder.
A lua, trêmula, sobre as águas;
Percorre, incansável, sua tragetória; dia após dia.
O primeiro raio de luz já anuncia o sol;
As horas se consomem, umas sobre as outras.
Enfim, é hora de deixa-lo, caro amigo.
Muita luz e muita gente ofuscam suas belezas.
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