quarta-feira, janeiro 09, 2013
[sic]
Eu me sinto livre
Preso no que se foi
E por mais alto que grite
De molho fiquei
-
Liberdade ainda que tardia
Desejada mais que tudo
Agora me enche de agonia
-
O disco agora é igual
Aceito esta opinião afinal
De tudo um pouco fomos
E agora onde escondo?
-
Nada faz o menor sentido
Talvez nem devesse ter escrito
Mas aí, onde fico?
sexta-feira, janeiro 04, 2013
Dia novo
Dia novo
folha nova
página em branco,
livro cheio de escrita.
Escritas a caneta
histórias não se apagam
folhas não se rasgam
queimar não muda nada.
Mas página a página
a escrita é diferente
perdem relações
não há continuidade
mudam os assuntos
alteram-se sujeitos
só resta a assinatura
da letra que não muda.
segunda-feira, novembro 26, 2012
Alergia Alergia
Ah, tormento sem fim;
Quando chego a Ipatinga
Mais uma noite em claro!
vai batendo uma mandinga.
Que é que se apodera de mim,
No nariz uma coceira
E me entope o peito em catarro?
logo passo da fronteira.
Deitar-me não posso
Um actchim atchim atchim
ou mata-me a tosse.
se apodera bem de mim
Em tudo o que faço
na cabeça uma leveza
o espirro toma posse.
que não beira à da cerveja
Tal qual um moribundo
E meus músculos contraem
me arrasto pela casa;
pensamentos se distraem
alérgico ao mundo
lá pra tarde dá melhora
e tudo o que me passa.
mas de noite só piora
minha dor, minha tortura
Faz-me febril e imprestável.
Ah, tormento abominável.
espirro espirro e ai tontura.
quarta-feira, novembro 14, 2012
Estrelas
Estive a noite a olhar estrelas.
Mas de forma um tanto peculiar,
uma atrai-me mais que as outras.
Não possui um brilho vulgar.
Pulsa tão calma e lentamente,
que me parece querer se apagar.
No seu momento ascendente,
destaca-se de forma magistral
afirmando toda sua força imponente.
E em seguida, de forma tão natural,
tendo demonstrado todo resplendor,
volta humilde pelo umbral.
Declina ao torpor
com igual maestria e beleza.
Impõe e segue o seu próprio rigor.
Invejosas de sua proeza,
tentam ofuscar-lhe, as outras.
Estrelas sem a mesma nobreza.
Caem sobre essa como feras.
Mas todo esforço enfim, é vão.
Minha estrela brilha por eras.
sábado, novembro 10, 2012
Poema do fim do amor
Pela segunda
e eu espero ser a última
desisto do amor
resigno em minha dor
cansado de tentar
O Fim representar
(não quero confrontar)
Desejo: desligar.
Porém, o que fazer
não sei mais o que ser.
Já tudo tentei pouco
e pra sempre serei louco.
Não quero me encaixar,
estou sempre a vagar.
Descontente
de repente
Infeliz, inquieto, Ingrato,
andarilho, insensato
a andar insatisfato
a cuspir no próprio prato.
Felizes são os que Vivem sem porque
E eu ando e desando
a ouvir tanto desmando
no meu corpo tanta raiva
tanto ódio que se esvaia
No capricho, no esgueiro
Anda a sombra o dia inteiro
Esperando um deslize.
Sentimentos que um dia
foram toda alegria
Nestes tempos vem em mente
a deixar meu ser doente.
Livre passe encontraram
no meu cérebro fanfarram
a causar tanto barulho
que eu hoje nem mais durmo
e assim sigo em frente
Vivo, vivo e doente.
sexta-feira, outubro 19, 2012
A um piscar
-
Em um breve momento de descanso
Cada segundo passa como uma vida
Impercepitivel, mas essencial
Tão incomun, mas porém real
-
É tudo simples e conciso
Lembrando uma bela paisagem
Tão quieta e tão imovel
Que não parece estar passível ao tempo
-
Tantas sensações em um breve momento
Parecendo uma bela e melancólica sinfonia
Passando desapercebida como um piscar de olhos
Marcone Melo
Em um breve momento de descanso
Cada segundo passa como uma vida
Impercepitivel, mas essencial
Tão incomun, mas porém real
-
É tudo simples e conciso
Lembrando uma bela paisagem
Tão quieta e tão imovel
Que não parece estar passível ao tempo
-
Tantas sensações em um breve momento
Parecendo uma bela e melancólica sinfonia
Passando desapercebida como um piscar de olhos
Marcone Melo
sexta-feira, outubro 05, 2012
Consolação
Na rua da Consolação
lá encontro inspiração.
Entre a Rua e o cemitério
As árvores e o deutério
A paz dos mortos
e o som das motos
O contraste da rua
e da alma nua.
O buzinar dos carros
e o trepidar dos passos
Enquanto desço
muito penso
Entre a parede e as árvores
escondidas lápides
Esculturas, mármores
e o silêncio etéreo
dos que ali se encontram
e não mais se confrontam
E no descanso eterno
não há mais inferno.
quinta-feira, agosto 23, 2012
Menina
Que olhar é esse?
Que vejo todo dia sem me notar
Que olhar é esse
Que revela tal beleza de maneira incrível
E eu aqui, na minha humilde poltrona observo
E eu aqui, na minha humilde mente, imagino
O que as vezes é severo
Você passa direto
O que as bocas falam pode não ser verdade
O que a mente fala pode ser bobagem
Mas eu digo uma coisa séria
O que aconteceria se nós dois estivéssemos perto?
----
-Luís F. Tolonei
sábado, agosto 11, 2012
Na praça
Na praça
sem graça
sem nada
estou eu.
No meio da praça
sentada
fantasma
sou eu.
por dentro
tormento
no vento
estou eu.
cansada
usada
na praça
fui eu.
Alçadas
as asas
calcadas
vou eu.
E livre
sozinha
sem linha
voo eu.
Desgraça
que passa
com asas
voo meu.
domingo, julho 29, 2012
Dor e circo
Detrás de cada janela vejo um circo em pleno espetáculo.
Mas, diferente de circos convencionais, o objetivo é entreter quem nele encena;
jamais quem o assiste. E talvez seja o que o torne tão mais interessante de ser
assistido. Fora isso, em tudo se assemelham. Comédias e tragédias, piruetas e
quedas, números arriscados e duvidosos. Também não sei quanto aos demais, mas
as tragédias são as que me causam maior admiração. Não pelo prazer sádico, mas
pela capacidade de absorver-lhes as sôfregas experiências.
Por mais que o homem fuja à dor, essa sempre o persegue. Mas
para aquele que é capaz de suportá-la, a esse pode ser entregue o deleite da
sabedoria, que sempre acompanha essa detestável e desesperadora condição. Mas o
que é a dor? Pode ser medida? Pode ser comparada? Posso dizer que a dor física
supera a dor da alma, ou que essa supera a anterior? Fato é que, para quem a
sofre, ela é sempre superior a qualquer outra.
Mas de volta aos espetáculos. Observe como boa parte desses
traça uma eterna fuga ao sofrimento, e tudo o que lhe condiz. Acovardados pela
incerteza ou motivados por prazeres mais simples, se rendem à simplória busca
pelo entretenimento facilitado e seguro. Que felizes sejam, mas não há muito
valor em observá-los. Exceto nas irônicas ocasiões onde, sorrateiramente, a dor
lhes recai. Há ainda aqueles que, na busca pelo deleite maior, cedo ou tarde se
esbarram com nossa detestada e inevitável protagonista. Mas, despreparados para
o encontro, ou demasiado fracos, se destroem em pranto. Uma venerável
demonstração da força que possui nossa personagem, a dor.
E finalmente, os mestres da tragédia. Homens que demonstram
seu valor e virtuosismo, a cada provação a que são submetidos. A superação dos
próprios limites é como uma característica inata a esses. E é a esses que me
agrada a observar e absorver. Como um parasita e voyeur, nesse circo de
horrores.
Por fim: não há dor que possa refrear o desejo copioso do
homem austero.
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