Tempo vem, tempo vai...
sento-me e aguardo.
O clima é bom, a tarde singela,
ai de mim se soubesse
a torrente que nos espera.
Ao longe o sorriso dissimulado
de uma dor contida.
No peito o descompasso
de toda desilusão vivida
que ao léu nos lança a sorte.
Repleto de ódio ouvi o mundo
a lhe jogar tijolos.
Impotente eu vi
a vida te molhar os olhos...
Tempo vai, tempo vem...
o que era doce se amargura.
Aquilo que nos encantava
inocente de toda penúria
dissolve-se em ácida chuva.
Em multicolorida plumagem
nos segue o maldito pássaro.
Apesar do bonito cantar
não se engane:
Seu projeto é atazanar.
Pesaroso vi meus defeitos
espelhados no seu rosto.
Como um bêbado acreditei
entender o seu desgosto.
Tempo que foi
apesar de não ter vindo.
Brejeira, a chuva cai;
um raio te ilumina;
leviana poesia...
Remando contra a corrente,
ancorado ao espelho d'água,
vejo a água que te beija a pele.
Falta o verbo que nos cubra a mágoa.
Tão efêmero o que nos reuniu...
Encharcado observo o sorriso
que em seu rosto renasce.
Extasiado admiro
a leveza em sua face.
Tempo que,
ao mesmo tempo que vem, vai.
Num piscar de olhos
retorna-se ao ponto de partida.
Tão cíclica é a vida...
Debruçados à sacada,
num descuido da atenção,
o grito desprendido.
O ferrão.
Cômica tragédia.
Em silêncio
contemplei sua compaixão.
Alucinado assisti
a morte em comunhão.
Tempo que de repente veio
e logo foi-se.
Livres de toda pretensão
vemo-nos obrigados a admitir
que nada nos restou.
A música, embora sempre presente,
no delírio vê se transformar.
Num verso a verdade
exposta pelo brilho no olhar,
noutro a loucura a pairar.
Imprudente
descubro-lhe os olhos.
Expostos
fritando os miolos.
Tempo que nunca foi.
Tempo que nunca será.
sexta-feira, julho 03, 2020
sexta-feira, abril 03, 2015
Let's dance around the bonfire
You,
oh you, my friend
From
such a distant land
Shall
sleep, while I
must
die.
In
your pessimistic optimism
You
laugh from my cynism
Within
this crazy dream
of
mine.
In
your slavic tone
Prepare
for me a song
That
we shall sing
in
rhymes.
At
the very begin of May
We'll
dance the entire day
Around
the warm
Bonfire.
You'll
be my inspiration
I'll
make you a dedication
that
will transcend
The
time.
terça-feira, agosto 26, 2014
De dez, em dez, a dez...
Dez mil rostos à la carte
desfilando pela rua. Dez mil horas de espera para nunca vê-la nua. Dez mil
corpos desmembrados pelos deuses do passado. Dez mil dias miserável, vagaroso e
retardado. Dez mil copos de cerveja pelo
bem da sanidade. Dez mil anos de sossego, por capricho ou vaidade. Dez acordos
diplomáticos, pelo bem da humanidade. Dez as graças que me trazem a justiça e a
humildade. Dez avisos luminosos destacando sua sacada. Dez motivos deprimentes
que mataram minha amada. Desisti de ser um gênio aos dez anos de idade. Dei de
ombros quando vi que nada disso era verdade. Das mil dores que ouvi, cruelmente
arrancadas; Sempre soube que as suas foram as mais perturbadas. Dez bilhões de
habitantes. E nenhum que me encante.
domingo, agosto 17, 2014
Porque desisti de cursar letras
Uma aula
numa sala
eterna fala
Professora
que ecoa
sons à toa
Da escrita
que habita
nossa vida
Enredando
No comando
revelando
Horas ralas
vossas falas
mil palavras
nunca calas
numa sala
eterna fala
Professora
que ecoa
sons à toa
Da escrita
que habita
nossa vida
Enredando
No comando
revelando
Horas ralas
vossas falas
mil palavras
nunca calas
sábado, junho 28, 2014
Lua
Em posse de sua atenção
A lua, na portela
já não sente solidão.
É a mesma lua, na viela;
que de certo, sem razão;
Sem o pudor que havia nela
Põe pra longe a escuridão.
Vê Luana, na janela,
E se ilumina de emoção.
Ergue a moça, com cautela,
Que aos poucos sai do chão.
Que beleza mais singela
Ver Luana, na janela,
com a lua em comunhão.
A lua, na portela
já não sente solidão.
É a mesma lua, na viela;
que de certo, sem razão;
Sem o pudor que havia nela
Põe pra longe a escuridão.
Vê Luana, na janela,
E se ilumina de emoção.
Ergue a moça, com cautela,
Que aos poucos sai do chão.
Que beleza mais singela
Ver Luana, na janela,
com a lua em comunhão.
quarta-feira, março 05, 2014
Turbilhão
Rodopia, inquieto pensamento?
Não cansa de ser um tormento?
Então deseja-me atento?
Pois suma com o vento!
Comece e eu te invento:
Não brinque com a sorte,
Não espreite a morte,
Não tente ser forte
Não veja o corte.
Não que eu me importe...
E observe na rua:
Essa ferida nua,
Cratera da lua.
A noite recua
Expondo a sua.
A clara vitória
De sorte, trás glória.
Talvez é notória.
Me parece irrisória.
Ou mesmo aleatória.
Mergulhe em loucura
Se afaste da cura
da luz que perfura
Do beijo, doçura.
E a vida? Argh! Dura...
Tão bela e formosa;
Cruel... vaporosa;
Demente, assombrosa;
Tristeza voluptuosa.
Derrota suntuosa.
Não dura um segundo
Tão limpo e imundo
O desejo do mundo
Que toque, profundo,
Um deus vagabundo.
E vaga, distante
Num vago instante
Loucura inconstante
Num voo rasante.
Coragem! Avante!
Não cansa de ser um tormento?
Então deseja-me atento?
Pois suma com o vento!
Comece e eu te invento:
Não brinque com a sorte,
Não espreite a morte,
Não tente ser forte
Não veja o corte.
Não que eu me importe...
E observe na rua:
Essa ferida nua,
Cratera da lua.
A noite recua
Expondo a sua.
A clara vitória
De sorte, trás glória.
Talvez é notória.
Me parece irrisória.
Ou mesmo aleatória.
Mergulhe em loucura
Se afaste da cura
da luz que perfura
Do beijo, doçura.
E a vida? Argh! Dura...
Tão bela e formosa;
Cruel... vaporosa;
Demente, assombrosa;
Tristeza voluptuosa.
Derrota suntuosa.
Não dura um segundo
Tão limpo e imundo
O desejo do mundo
Que toque, profundo,
Um deus vagabundo.
E vaga, distante
Num vago instante
Loucura inconstante
Num voo rasante.
Coragem! Avante!
segunda-feira, fevereiro 17, 2014
sexta-feira, fevereiro 14, 2014
No mais, talvez menos
Noite passada:
Eras luz;
Eras trevas;
Eras, tu, amada.
Tive medo.
Hesitei.
Não fiz nada...
Hoje penso
Perturbado:
"Que roubada".
Fruto da mente,
Vaga a luz;
Vago rastro
Diferente.
Passo largo;
Larga o copo
Ferozmente.
Ganha o mundo;
Muda o tempo.
E como mente.
Seja como for;
Tudo bem.
Veja lá.
Por amor;
Algo mais.
Talvez menos.
Pela dor
Com abuso
Comedido.
Com ardor.
Eras luz;
Eras trevas;
Eras, tu, amada.
Tive medo.
Hesitei.
Não fiz nada...
Hoje penso
Perturbado:
"Que roubada".
Fruto da mente,
Vaga a luz;
Vago rastro
Diferente.
Passo largo;
Larga o copo
Ferozmente.
Ganha o mundo;
Muda o tempo.
E como mente.
Seja como for;
Tudo bem.
Veja lá.
Por amor;
Algo mais.
Talvez menos.
Pela dor
Com abuso
Comedido.
Com ardor.
quarta-feira, janeiro 29, 2014
Um rio de nada
Não escrevo mais poemas
embaralhar fonemas.
Não faz nenhum sentido
pra tudo o que eu vivo.
Não vejo mais sentido
incrementar meu livro
com frases soltas, loucas
que juntas somam poucas.
De tudo o que eu escrevo
ninguém chega a vê-lo
aquilo que me prende
é o que vos ofende.
Ofensas são pequenas
e formam nossas penas
a todos nos magoam
e lágrimas escoam.
Um rio já é formado
e passa em todo lado
não há como escapar
o grande serpentear.
embaralhar fonemas.
Não faz nenhum sentido
pra tudo o que eu vivo.
Não vejo mais sentido
incrementar meu livro
com frases soltas, loucas
que juntas somam poucas.
De tudo o que eu escrevo
ninguém chega a vê-lo
aquilo que me prende
é o que vos ofende.
Ofensas são pequenas
e formam nossas penas
a todos nos magoam
e lágrimas escoam.
Um rio já é formado
e passa em todo lado
não há como escapar
o grande serpentear.
quarta-feira, janeiro 15, 2014
Tardes de um verão chuvoso
Que me permita dizer, a tarde cruel,
Ainda que tomado pelo imenso desgosto
Ou tenha os lábios cerrados pelo fel,
Que talvez traspareça na doçura do rosto
O brilho esquivo de seu terno olhar
Iluminado pelo intenso vermelho solar.
Pelas palavras deste incauto orador
Não se torna viva toda expressividade
Nem é claro o que se sente com ardor
Pois não passa de um triste covarde.
Tão pobre, a esperançosa palavra
Que do fracasso se torna escrava.
Ainda que mil vezes lhe repetisse,
Quer seja por capricho ou vaidade,
Tudo o que desejava e que disse,
Não atingiria toda a profundidade
Do que as palavras não podem dizer.
De que outra maneira poderia ser?
Apesar disso, os dias se consomem
Cheios de tranquila naturalidade;
E ainda é viva, no peito do homem,
Uma vaga esperança, isso é verdade.
Quem sabe, na arte, ainda exista
Satisfação para o incomum artista.
Ainda que tomado pelo imenso desgosto
Ou tenha os lábios cerrados pelo fel,
Que talvez traspareça na doçura do rosto
O brilho esquivo de seu terno olhar
Iluminado pelo intenso vermelho solar.
Pelas palavras deste incauto orador
Não se torna viva toda expressividade
Nem é claro o que se sente com ardor
Pois não passa de um triste covarde.
Tão pobre, a esperançosa palavra
Que do fracasso se torna escrava.
Ainda que mil vezes lhe repetisse,
Quer seja por capricho ou vaidade,
Tudo o que desejava e que disse,
Não atingiria toda a profundidade
Do que as palavras não podem dizer.
De que outra maneira poderia ser?
Apesar disso, os dias se consomem
Cheios de tranquila naturalidade;
E ainda é viva, no peito do homem,
Uma vaga esperança, isso é verdade.
Quem sabe, na arte, ainda exista
Satisfação para o incomum artista.
sexta-feira, janeiro 10, 2014
Final
vaga a noite;
noite vaga
no escuro
do umbral.
Baixa a voz;
cabeça baixa
doce gesto
angelical.
Ouça o silencio;
silencia a alma
no deleite
carnal.
Dorme em paz;
deita e faz
memorável
o final.
noite vaga
no escuro
do umbral.
Baixa a voz;
cabeça baixa
doce gesto
angelical.
Ouça o silencio;
silencia a alma
no deleite
carnal.
Dorme em paz;
deita e faz
memorável
o final.
sexta-feira, janeiro 03, 2014
Tradução
Pelas minhas
curvas imperfeitas suas mãos deslizavam,
Levando-me à
completa perdição, ao completo devaneio.
Suas mãos traduziam
meu limite, que antes nunca havia sido revelado.
Corriam em toques
suaves, na mais completa brandura.
Meu mundo se
misturava com os delírios do amor,
Meu sustento era a
droga alucinógena da sua paixão.
O que me fazias
sentir era como magia.
Seus beijos, tão
doces e macios,
Passavam por cada
uma de minhas dobras,
Deixavam vestígios
de ternura, idolatria e paixão.
E eu, em minha
vergonha, deixei-me levar pelo seu suplicante ardor,
Não podia reagir
ou resistir às suas caricias.
Meus sentidos não
se sujeitavam mais a mim, deixei-me dominar por seus sussurros.
Palavras mudas que
me exaltavam em uma inocente malícia.
Assim, somente
você desvendara o que de mais secreto e único havia em mim.
Só você até então,
viste meus mistérios.
Só você me deixou
leve e indefesa como uma libélula.
Você, portanto, me
deixou inteiramente traduzida.
sexta-feira, novembro 29, 2013
Soneto
Banhados pelo brilho rasante
de um sol de milhões de megatons;
Dominados por um mero instante
pela nuance de melódicos sons.
Pelo rastro claro de um vetor
Desperta-me do profundo estupor.
Através da densa selva de rostos
num sutil relance de descuido
dois pares de olhos atentos
ao brilho intenso e profundo.
Toda sensibilidade feminina
Pronta a me rasgar a retina.
À beleza destes cabelos anelados
dedico esses versos desajeitados.
de um sol de milhões de megatons;
Dominados por um mero instante
pela nuance de melódicos sons.
Pelo rastro claro de um vetor
Desperta-me do profundo estupor.
Através da densa selva de rostos
num sutil relance de descuido
dois pares de olhos atentos
ao brilho intenso e profundo.
Toda sensibilidade feminina
Pronta a me rasgar a retina.
À beleza destes cabelos anelados
dedico esses versos desajeitados.
quarta-feira, setembro 18, 2013
Dias mais;
dias menos.
Tanto faz
mais ou menos.
Pedes paz
eu, veneno.
Queres beijos;
mais gracejos;
seus desejos.
Meus sinceros
bocejos.
Conversa vazia;
Frias palavras.
Seu rosto trazia
tristezas. Das raras.
Enquanto eu dormia,
em lagrimas estavas.
Insônia, letargia.
Demencia, narcolepsia.
Câncer, alergia.
Seus longos ataques
de histeria.
Hoje, vais.
Eu, asceno.
Tanto faz;
Corte ameno.
Tive paz.
Tu, veneno.
dias menos.
Tanto faz
mais ou menos.
Pedes paz
eu, veneno.
Queres beijos;
mais gracejos;
seus desejos.
Meus sinceros
bocejos.
Conversa vazia;
Frias palavras.
Seu rosto trazia
tristezas. Das raras.
Enquanto eu dormia,
em lagrimas estavas.
Insônia, letargia.
Demencia, narcolepsia.
Câncer, alergia.
Seus longos ataques
de histeria.
Hoje, vais.
Eu, asceno.
Tanto faz;
Corte ameno.
Tive paz.
Tu, veneno.
sexta-feira, junho 21, 2013
My Bar
The bar
the lights
my silent sighs
are not enough to fill my heart
We drink, in vain,
another strain,
to stop the flow
of all our thoughts
Anonymous we are in night
the lonely ones
the incontent
we watch the laughs
of other ones we wish were ours
those happy hearts
the lights
my silent sighs
are not enough to fill my heart
We drink, in vain,
another strain,
to stop the flow
of all our thoughts
Anonymous we are in night
the lonely ones
the incontent
we watch the laughs
of other ones we wish were ours
those happy hearts
domingo, junho 09, 2013
Obsessão
Seus estranhos modos
permaneciam rudemente escondidos.
Quase um incontrolável sentimento,
gentilmente oprimido.
Zunindo alto rumo seus
ofegantes bloqueios.
Resistindo, exaustivamente.
Sem exageros, uma bomba!
Esperando letargicamente.
Obsessivamente contido.
Odiosamente reprimido
pelo orgulho.
Resista o quanto puder...
sábado, junho 01, 2013
Floresta Negra
“Abrindo caminho
em meio aos arboredos
caminha sozinho
ele, e seus medos
neste trajeto,
estará o fim perto?”
“Veja como anda sôfrego
O homem na floresta.
Parece estar cego
Fugindo daquilo
que detesta.
O vento agita as folhas
Que caem de velhas.”
“Desconhecido caminho
Eu ando
indeciso
No chão em que eu piso
E sequer
adivinho
Para onde
estou indo
E se deveras
sou bem-vindo”
“Caminhe, jovem
viajante
Caminhe pois é longo o caminho.
O que lhe
aguarda adiante
É protegido por espinhos.
Até lá, admire com clareza
Da floresta, a
beleza.”
“Será que vale a pena
Todo esse
andar?
Dizeis que
espinhos há
Vão eles me matar?
Há monstros nesta trilha
Que todos
chamam vida?”
domingo, abril 28, 2013
Amigo poeta
Amigo poeta
de vida discreta
tens de viver
tendes a ver
belas palavras
em meio a várzeas
porém para tanto
é que eu sempre ando
e te digo agora
vá mundo afora!
Sai a bailar
admire o luar
sai pra dançar
ou senão pra falar
faça outras coisas
diferentes escolhas
admire gotas
de água em poças
fala com gente
Vá em frente!
de vida discreta
tens de viver
tendes a ver
belas palavras
em meio a várzeas
porém para tanto
é que eu sempre ando
e te digo agora
vá mundo afora!
Sai a bailar
admire o luar
sai pra dançar
ou senão pra falar
faça outras coisas
diferentes escolhas
admire gotas
de água em poças
fala com gente
Vá em frente!
Marcadores:
a vida,
conselhos,
poesia,
poeta,
praças e nadas.
sexta-feira, abril 26, 2013
Declive
Descontrole-se por um instante;
O ínfimo suspiro da eternidade;
Um trajeto cruel e inconstante;
O grito de desespero da vaidade.
Percorra calado, o declive.
De olhos fechados, inclusive.
Não seria este, o momento?
Aquele pelo qual tanto espera.
Pois então corra, como o vento.
O que à sua bela ideia dilacera
é simplesmente o seu medo.
Desça enquanto ainda é cedo.
Mas como assim você não pode?
Será algum rastro de pudor?
Logo será por demais tarde.
Anda! Desperte desse torpor.
Ou será isso afinal. O que aguarda?
Terminar feito gado de engorda?
Rá! Agora tudo soa mais claro.
O que falta desta vez? Uma carruagem?
Veja como mais pareces um escarro
em plena adoração da própria imagem.
Diante do caminho sempre percorrido
minha presença causa-lhe alarido.
Fuja já, criatura desesperada.
Desça até o fundo, o seu declive.
O destino de sua estúpida jornada
é a morte de tudo o que ainda vive.
Mas é claro que isso não importa.
"Temos diversão à nossa porta".
sexta-feira, abril 19, 2013
Olhar
Admirada, a noite vaga por seus olhos
e neles se reflete, como em belos espelhos.
De contemplar seu magnífico olhar azulado
sinto-me verdadeiramente agraciado.
Mas que fiquem de lado minhas sensações.
Preparo pra ti saborosas diversões.
Já estás sorrindo, com tanta graça.
O que é, afinal, a razão dessa peça.
E como nas palavras tudo é possível
que se faça vivo pra ti o incrível.
Que da terra brotem rosas douradas
cercadas por belas ninfas aladas.
De fogos fátuos o céu se colora;
Tornando mais belas a noite e a aurora.
Que das águas se ouça o canto de sereias.
A tudo isso e ainda mais, tu saboreias.
Vapores se distinguem por aquela fenda:
Se transmutam em todo tipo de forma elevada.
Veja bem! Deuses, e dos mais diversos!
Desde os bons, até os mais perversos.
Daquele bosque lhe saúdam, os animais
em dóceis gracejos, não muito formais.
E agora, todos presentes na cena
à uma só voz, cândida e serena:
"Que nesse dia se celebre
de todo ano, o dia mais alegre."
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