sexta-feira, junho 21, 2013

My Bar

The bar
the lights
my silent sighs
are not enough to fill my heart

We drink, in vain,
another strain,
to stop the flow
of all our thoughts

Anonymous we are in night
the lonely ones
the incontent
we watch the laughs
of other ones we wish were ours
those happy hearts

domingo, junho 09, 2013

Obsessão














Seus estranhos modos
permaneciam rudemente escondidos.
Quase um incontrolável sentimento,
gentilmente oprimido.
Zunindo alto rumo seus
ofegantes bloqueios.
Resistindo, exaustivamente.
Sem exageros, uma bomba!
Esperando letargicamente.
Obsessivamente contido.
Odiosamente reprimido
pelo orgulho.

Resista o quanto puder...

sábado, junho 01, 2013

Floresta Negra

“Abrindo caminho
 em meio aos arboredos
 caminha sozinho
 ele, e seus medos
 neste trajeto,
 estará o fim perto?”

“Veja como anda sôfrego
 O homem na floresta.
 Parece estar cego
 Fugindo daquilo que detesta.
 O vento agita as folhas
 Que caem de velhas.”

“Desconhecido caminho
 Eu ando indeciso
 No chão em que eu piso
 E sequer adivinho
 Para onde estou indo
 E se deveras sou bem-vindo”

“Caminhe, jovem viajante
 Caminhe pois é longo o caminho.
 O que lhe aguarda adiante
 É protegido por espinhos.
 Até lá, admire com clareza
 Da floresta, a beleza.”

“Será que vale a pena
 Todo esse andar?
 Dizeis que espinhos há
 Vão eles me matar?
 Há monstros nesta trilha
   Que todos chamam vida?”

domingo, abril 28, 2013

Amigo poeta

Amigo poeta
de vida discreta
tens de viver
tendes a ver
belas palavras
em meio a várzeas
porém para tanto
é que eu sempre ando
e te digo agora
vá mundo afora!

Sai a bailar
admire o luar
sai pra dançar
ou senão pra falar
faça outras coisas
diferentes escolhas
admire gotas
de água em poças
fala com gente
Vá em frente!

sexta-feira, abril 26, 2013

Declive


Descontrole-se por um instante;
O ínfimo suspiro da eternidade;
Um trajeto cruel e inconstante;
O grito de desespero da vaidade.
Percorra calado, o declive.
De olhos fechados, inclusive.

Não seria este, o momento?
Aquele pelo qual tanto espera.
Pois então corra, como o vento.
O que à sua bela ideia dilacera
é simplesmente o seu medo.
Desça enquanto ainda é cedo.

Mas como assim você não pode?
Será algum rastro de pudor?
Logo será por demais tarde.
Anda! Desperte desse torpor.
Ou será isso afinal. O que aguarda?
Terminar feito gado de engorda?

Rá! Agora tudo soa mais claro.
O que falta desta vez? Uma carruagem?
Veja como mais pareces um escarro
em plena adoração da própria imagem.
Diante do caminho sempre percorrido
minha presença causa-lhe alarido.

Fuja já, criatura desesperada.
Desça até o fundo, o seu declive.
O destino de sua estúpida jornada
é a morte de tudo o que ainda vive.
Mas é claro que isso não importa.
"Temos diversão à nossa porta".

sexta-feira, abril 19, 2013

Olhar


Admirada, a noite vaga por seus olhos
e neles se reflete, como em belos espelhos.
De contemplar seu magnífico olhar azulado
sinto-me verdadeiramente agraciado.

Mas que fiquem de lado minhas sensações.
Preparo pra ti saborosas diversões.
Já estás sorrindo, com tanta graça.
O que é, afinal, a razão dessa peça.

E como nas palavras tudo é possível
que se faça vivo pra ti o incrível.
Que da terra brotem rosas douradas
cercadas por belas ninfas aladas.

De fogos fátuos o céu se colora;
Tornando mais belas a noite e a aurora.
Que das águas se ouça o canto de sereias.
A tudo isso e ainda mais, tu saboreias.

Vapores se distinguem por aquela fenda:
Se transmutam em todo tipo de forma elevada.
Veja bem! Deuses, e dos mais diversos!
Desde os bons, até os mais perversos.

Daquele bosque lhe saúdam, os animais
em dóceis gracejos, não muito formais.
E agora, todos presentes na cena
à uma só voz, cândida e serena:

"Que nesse dia se celebre
de todo ano, o dia mais alegre."

domingo, abril 07, 2013

Jazz com jazz

















Embalado pela música contagiante.
Carregado pelo compasso da banda.
Submerso em seu cenário elegante.
O gingado que este sonho comanda
estimula no corpo a vontade de dançar
acreditando ser melhor se expressar:

Verso vivo, em esplêndido movimento;
Alma da música. Corpo da dança.
Brilho nos olhos do público atento;
Representação da beleza mais intensa.
Logo acima, o incomum luar azulado
torna a noite um sonho iluminado.

Desperta aos poucos a lembrança.
Faz a noite um pouco mais intensa.

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Jardim dos pensamentos


















"Água cristalina onde se espelha a natureza
 não vejo no mundo mais viva beleza
 banha-me os pés em tua morna água
 e leva embora o que me resta de mágoa"

"Em seu esplêndido jardim
 percebi o que há em mim
 Em pequena poça d'água
 Lavo o rosto, lavo a mágoa"

"Eis que agora, longe da tristeza
 tudo eu vejo, com clareza.
 Como me agrada contemplar
 As singelas maravilhas do lugar.

 No jardim, em cada folha, cada flor
 canta inocente o puro amor.
 Como pude antes passar aqui tão cego
 se aqui é onde vive tudo a que me apego?"

"Neste meio está o seio
 nossa dona, e seu arreio
 Vive e pulsa em cada flor
 há espinhos e há dor

 É tão grande essa beleza
 que derrete tua frieza
 Acalenta nossas almas
 faz a todos bater palmas
 E partículas em volta
 todo estamos nesta roda"

"mergulhemos sob as águas calmas
 contemplemos nossas passageiras almas.
 Pois essa água a alma eleva
 ao encontro da sábia Minerva.

 Ouça os belos cantos dos pássaros
 hoje, já espetáculos tão raros.
 Como se pode julgar sabedoria
 ignorar tão singela maravilha?"

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Abrigo

Hoje em dia
A vida é dura, a vontade e fraca
E não tenho se quer uma companhia
-
Eu te peço proteção
Só um pouquinho de carinho
E não há por que dizer não
-

Vem, vem
Vem e te mostro que te quero bem

-
Alguma coisa nela mexe comigo
Seja dia ou noite
Te negar eu não consigo
-
Se não há motivo para viver sozinho
Por que que você não vêm

E me dá um abrigo?
-


Vem, vem
Vem e te mostro que te quero bem
-
E por favor me dê abrigo...

quarta-feira, janeiro 16, 2013

Ciclo IV - O Visitante

"Seja bem vinda, alma nova!
 Trazes o semblante carregado.
 Vejo que algum male lhe estorva.
 Diga-me. Por que estás assustado?

 Mas não, não me responda ainda.
 Mil perdões, meu companheiro.
 Como, no ato de sua vinda,
 nem pareço cavalheiro...

 Sente-se, faça-nos o favor.
 Sente-se e ouça o que eu digo.
 Ouça meus cantos, de alegria e dor.
 Depois cante-me os seus, bravo amigo.

'Houve já um tempo, e isso, já há muito;
 Mas se recordo, juro, ainda o sinto.
 Era dentre os homens o mais justo
 e isso, até, sem muito custo.

 Com destreza, aprendi a arte:
 Observar e julgar tudo, à parte.
 Mas veja só: da arte surge meu male;
 De sorte que este só, a muitos equivale.

 Aos poucos, de tudo o mais eu me afastava.
 Das coisas da vida, e tudo o que amava.
 E isso, até, sem sequer me dar conta.
 É o preço de quem aqui se levanta.

 Passado algum tempo desse começo,
 me dei conta desse expressivo preço.
 Foi quando tomou-me tão grande angústia;
 Imperando em minha alma todo tipo de apatia.

 Vagava cabisbaixo, totalmente desolado.
 Trazia ainda menos gente ao meu lado.
 Carregava em mim tamanha tristeza
 que demorei a ver com clareza.

 Mas eis que, acredite ou não,
 esta epifania tomou-me o coração:
 E se também essa tristeza faz parte
 e com ela, fica completa a minha arte?

 Foi quando me dei conta do que eu sou.
 Mude a arte e algo em mim já mudou!
 É ela, afinal, quem me define.
 Talvez a isso você se atine.

 Doravante, sigo ainda mais firme.
 Não há mais na dor, o que me deprime.
 E aqui estou, agora, de coragem renovada.
 Preparado para encarar orgulhoso a jornada.'

 Eis aqui, amigo, a minha amarga história.
 Suponho que você já retomou o fôlego.
 Conte-me sobre sua vida inglória.
 Quero compreender-lhe o âmago."


"Agradeço-lhe a compreensão.
 Sinto que és uma alma confiável:
 Apresenta-se a mim como um bom irmão
 aqui, onde tudo me soa tão desagradável.

 Peço perdão por lhe copiar os modos;
 Mas eu não procederia diferente.
 Defronte a todos meus medos,
 exponho-lhe minha mente:

'Ainda não há muito tempo
 desde que eu fora contente.
 Mas hoje, se olho mais atento;
 Ah! Como eu invejo toda essa gente.

 Vestia sempre a máscara do sábio.
 E como gostava de interpretar.
 Disso, embora pareça dúbio,
 eu sempre estive a par.

 Tomado por autoconfiança
 ousei-me a ir além da imagem.
 E embora nesta não houvesse mudança,
 meu íntimo encheu-se de terrível vertigem.

 Se soubesse de antemão, talvez o evitasse;
 Mas aí já era tarde para voltar atrás.
 Já me tornara vítima desse impasse.
 Invejo-te pois sabes o que faz.

 Se soubesse como tentei desistir
 talvez sequer seria-me tão atencioso.
 Porém como eu agiria de forma a me convir
 Se esquecer-me do que eu passei é tão penoso?

 Responda-me se possível, meu estimado amigo:
 Como se convive com tão grande tristeza?
 Enlouquece-me o que ela faz comigo.
 Suportá-la me parece uma proeza.'"


"Em poucas palavras ditas já vejo
 como lhe vem massacrando, seu íntimo.
 Acredite. Embora ainda não seja seu desejo
 seu gosto pela arte ainda se tornará legítimo.

 Até lá, sinto informar-lhe, mas nada posso fazer.
 Nada além de observar a sua escalada exaustiva.
 Supera essa necessidade que tens de prazer.
 É assim que, aqui, algum gozo se cultiva.

 Dou-lhe essas palavras como presente.
 Não me decepcione e cultive-as com zelo.
 Atente-se com empenho, e explore o que sente.
 E não existe no mundo quem, por ti, possa fazê-lo.

 Entenda isso desde já. Eu creio que virá a ser útil:
 Supere primeiro os medos que você tem carregado.
 E faça antes que te tornem o pensamento vil.
 Antes que tornem-se um fardo mais pesado.

 Ademais, cabe a ti descobrir o restante.
 Se sabes que não pode voltar, seja bem-vindo.
 Vai encontrar-se consigo mesmo bem logo, adiante.
 Agora não se demore mais. Aqui me despeço. Vamos indo."