sexta-feira, janeiro 03, 2014

Tradução


Pelas minhas curvas imperfeitas suas mãos deslizavam,
Levando-me à completa perdição, ao completo devaneio.
Suas mãos traduziam meu limite, que antes nunca havia sido revelado.
Corriam em toques suaves, na mais completa brandura.

Meu mundo se misturava com os delírios do amor,
Meu sustento era a droga alucinógena da sua paixão.
O que me fazias sentir era como magia.

Seus beijos, tão doces e macios,
Passavam por cada uma de minhas dobras,
Deixavam vestígios de ternura, idolatria e paixão.

E eu, em minha vergonha, deixei-me levar pelo seu suplicante ardor,
Não podia reagir ou resistir às suas caricias.
Meus sentidos não se sujeitavam mais a mim, deixei-me dominar por seus sussurros.
Palavras mudas que me exaltavam em uma inocente malícia.

Assim, somente você desvendara o que de mais secreto e único havia em mim.
Só você até então, viste meus mistérios.
Só você me deixou leve e indefesa como uma libélula.

Você, portanto, me deixou inteiramente traduzida.

sexta-feira, novembro 29, 2013

Soneto

Banhados pelo brilho rasante
de um sol de milhões de megatons;
Dominados por um mero instante
pela nuance de melódicos sons.
Pelo rastro claro de um vetor
Desperta-me do profundo estupor.

Através da densa selva de rostos
num sutil relance de descuido
dois pares de olhos atentos
ao brilho intenso e profundo.
Toda sensibilidade feminina
Pronta a me rasgar a retina.

À beleza destes cabelos anelados
dedico esses versos desajeitados.

quarta-feira, setembro 18, 2013

Dias mais;
dias menos.
Tanto faz
mais ou menos.
Pedes paz
eu, veneno.

Queres beijos;
mais gracejos;
seus desejos.
Meus sinceros
bocejos.

Conversa vazia;
Frias palavras.
Seu rosto trazia
tristezas. Das raras.
Enquanto eu dormia,
em lagrimas estavas.

Insônia, letargia.
Demencia, narcolepsia.
Câncer, alergia.
Seus longos ataques
de histeria.

Hoje, vais.
Eu, asceno.
Tanto faz;
Corte ameno.
Tive paz.
Tu, veneno.

sexta-feira, junho 21, 2013

My Bar

The bar
the lights
my silent sighs
are not enough to fill my heart

We drink, in vain,
another strain,
to stop the flow
of all our thoughts

Anonymous we are in night
the lonely ones
the incontent
we watch the laughs
of other ones we wish were ours
those happy hearts

domingo, junho 09, 2013

Obsessão














Seus estranhos modos
permaneciam rudemente escondidos.
Quase um incontrolável sentimento,
gentilmente oprimido.
Zunindo alto rumo seus
ofegantes bloqueios.
Resistindo, exaustivamente.
Sem exageros, uma bomba!
Esperando letargicamente.
Obsessivamente contido.
Odiosamente reprimido
pelo orgulho.

Resista o quanto puder...

sábado, junho 01, 2013

Floresta Negra

“Abrindo caminho
 em meio aos arboredos
 caminha sozinho
 ele, e seus medos
 neste trajeto,
 estará o fim perto?”

“Veja como anda sôfrego
 O homem na floresta.
 Parece estar cego
 Fugindo daquilo que detesta.
 O vento agita as folhas
 Que caem de velhas.”

“Desconhecido caminho
 Eu ando indeciso
 No chão em que eu piso
 E sequer adivinho
 Para onde estou indo
 E se deveras sou bem-vindo”

“Caminhe, jovem viajante
 Caminhe pois é longo o caminho.
 O que lhe aguarda adiante
 É protegido por espinhos.
 Até lá, admire com clareza
 Da floresta, a beleza.”

“Será que vale a pena
 Todo esse andar?
 Dizeis que espinhos há
 Vão eles me matar?
 Há monstros nesta trilha
   Que todos chamam vida?”

domingo, abril 28, 2013

Amigo poeta

Amigo poeta
de vida discreta
tens de viver
tendes a ver
belas palavras
em meio a várzeas
porém para tanto
é que eu sempre ando
e te digo agora
vá mundo afora!

Sai a bailar
admire o luar
sai pra dançar
ou senão pra falar
faça outras coisas
diferentes escolhas
admire gotas
de água em poças
fala com gente
Vá em frente!

sexta-feira, abril 26, 2013

Declive


Descontrole-se por um instante;
O ínfimo suspiro da eternidade;
Um trajeto cruel e inconstante;
O grito de desespero da vaidade.
Percorra calado, o declive.
De olhos fechados, inclusive.

Não seria este, o momento?
Aquele pelo qual tanto espera.
Pois então corra, como o vento.
O que à sua bela ideia dilacera
é simplesmente o seu medo.
Desça enquanto ainda é cedo.

Mas como assim você não pode?
Será algum rastro de pudor?
Logo será por demais tarde.
Anda! Desperte desse torpor.
Ou será isso afinal. O que aguarda?
Terminar feito gado de engorda?

Rá! Agora tudo soa mais claro.
O que falta desta vez? Uma carruagem?
Veja como mais pareces um escarro
em plena adoração da própria imagem.
Diante do caminho sempre percorrido
minha presença causa-lhe alarido.

Fuja já, criatura desesperada.
Desça até o fundo, o seu declive.
O destino de sua estúpida jornada
é a morte de tudo o que ainda vive.
Mas é claro que isso não importa.
"Temos diversão à nossa porta".

sexta-feira, abril 19, 2013

Olhar


Admirada, a noite vaga por seus olhos
e neles se reflete, como em belos espelhos.
De contemplar seu magnífico olhar azulado
sinto-me verdadeiramente agraciado.

Mas que fiquem de lado minhas sensações.
Preparo pra ti saborosas diversões.
Já estás sorrindo, com tanta graça.
O que é, afinal, a razão dessa peça.

E como nas palavras tudo é possível
que se faça vivo pra ti o incrível.
Que da terra brotem rosas douradas
cercadas por belas ninfas aladas.

De fogos fátuos o céu se colora;
Tornando mais belas a noite e a aurora.
Que das águas se ouça o canto de sereias.
A tudo isso e ainda mais, tu saboreias.

Vapores se distinguem por aquela fenda:
Se transmutam em todo tipo de forma elevada.
Veja bem! Deuses, e dos mais diversos!
Desde os bons, até os mais perversos.

Daquele bosque lhe saúdam, os animais
em dóceis gracejos, não muito formais.
E agora, todos presentes na cena
à uma só voz, cândida e serena:

"Que nesse dia se celebre
de todo ano, o dia mais alegre."

domingo, abril 07, 2013

Jazz com jazz

















Embalado pela música contagiante.
Carregado pelo compasso da banda.
Submerso em seu cenário elegante.
O gingado que este sonho comanda
estimula no corpo a vontade de dançar
acreditando ser melhor se expressar:

Verso vivo, em esplêndido movimento;
Alma da música. Corpo da dança.
Brilho nos olhos do público atento;
Representação da beleza mais intensa.
Logo acima, o incomum luar azulado
torna a noite um sonho iluminado.

Desperta aos poucos a lembrança.
Faz a noite um pouco mais intensa.