Não escrevo mais poemas
embaralhar fonemas.
Não faz nenhum sentido
pra tudo o que eu vivo.
Não vejo mais sentido
incrementar meu livro
com frases soltas, loucas
que juntas somam poucas.
De tudo o que eu escrevo
ninguém chega a vê-lo
aquilo que me prende
é o que vos ofende.
Ofensas são pequenas
e formam nossas penas
a todos nos magoam
e lágrimas escoam.
Um rio já é formado
e passa em todo lado
não há como escapar
o grande serpentear.
quarta-feira, janeiro 29, 2014
quarta-feira, janeiro 15, 2014
Tardes de um verão chuvoso
Que me permita dizer, a tarde cruel,
Ainda que tomado pelo imenso desgosto
Ou tenha os lábios cerrados pelo fel,
Que talvez traspareça na doçura do rosto
O brilho esquivo de seu terno olhar
Iluminado pelo intenso vermelho solar.
Pelas palavras deste incauto orador
Não se torna viva toda expressividade
Nem é claro o que se sente com ardor
Pois não passa de um triste covarde.
Tão pobre, a esperançosa palavra
Que do fracasso se torna escrava.
Ainda que mil vezes lhe repetisse,
Quer seja por capricho ou vaidade,
Tudo o que desejava e que disse,
Não atingiria toda a profundidade
Do que as palavras não podem dizer.
De que outra maneira poderia ser?
Apesar disso, os dias se consomem
Cheios de tranquila naturalidade;
E ainda é viva, no peito do homem,
Uma vaga esperança, isso é verdade.
Quem sabe, na arte, ainda exista
Satisfação para o incomum artista.
Ainda que tomado pelo imenso desgosto
Ou tenha os lábios cerrados pelo fel,
Que talvez traspareça na doçura do rosto
O brilho esquivo de seu terno olhar
Iluminado pelo intenso vermelho solar.
Pelas palavras deste incauto orador
Não se torna viva toda expressividade
Nem é claro o que se sente com ardor
Pois não passa de um triste covarde.
Tão pobre, a esperançosa palavra
Que do fracasso se torna escrava.
Ainda que mil vezes lhe repetisse,
Quer seja por capricho ou vaidade,
Tudo o que desejava e que disse,
Não atingiria toda a profundidade
Do que as palavras não podem dizer.
De que outra maneira poderia ser?
Apesar disso, os dias se consomem
Cheios de tranquila naturalidade;
E ainda é viva, no peito do homem,
Uma vaga esperança, isso é verdade.
Quem sabe, na arte, ainda exista
Satisfação para o incomum artista.
sexta-feira, janeiro 10, 2014
Final
vaga a noite;
noite vaga
no escuro
do umbral.
Baixa a voz;
cabeça baixa
doce gesto
angelical.
Ouça o silencio;
silencia a alma
no deleite
carnal.
Dorme em paz;
deita e faz
memorável
o final.
noite vaga
no escuro
do umbral.
Baixa a voz;
cabeça baixa
doce gesto
angelical.
Ouça o silencio;
silencia a alma
no deleite
carnal.
Dorme em paz;
deita e faz
memorável
o final.
sexta-feira, janeiro 03, 2014
Tradução
Pelas minhas
curvas imperfeitas suas mãos deslizavam,
Levando-me à
completa perdição, ao completo devaneio.
Suas mãos traduziam
meu limite, que antes nunca havia sido revelado.
Corriam em toques
suaves, na mais completa brandura.
Meu mundo se
misturava com os delírios do amor,
Meu sustento era a
droga alucinógena da sua paixão.
O que me fazias
sentir era como magia.
Seus beijos, tão
doces e macios,
Passavam por cada
uma de minhas dobras,
Deixavam vestígios
de ternura, idolatria e paixão.
E eu, em minha
vergonha, deixei-me levar pelo seu suplicante ardor,
Não podia reagir
ou resistir às suas caricias.
Meus sentidos não
se sujeitavam mais a mim, deixei-me dominar por seus sussurros.
Palavras mudas que
me exaltavam em uma inocente malícia.
Assim, somente
você desvendara o que de mais secreto e único havia em mim.
Só você até então,
viste meus mistérios.
Só você me deixou
leve e indefesa como uma libélula.
Você, portanto, me
deixou inteiramente traduzida.
sexta-feira, novembro 29, 2013
Soneto
Banhados pelo brilho rasante
de um sol de milhões de megatons;
Dominados por um mero instante
pela nuance de melódicos sons.
Pelo rastro claro de um vetor
Desperta-me do profundo estupor.
Através da densa selva de rostos
num sutil relance de descuido
dois pares de olhos atentos
ao brilho intenso e profundo.
Toda sensibilidade feminina
Pronta a me rasgar a retina.
À beleza destes cabelos anelados
dedico esses versos desajeitados.
de um sol de milhões de megatons;
Dominados por um mero instante
pela nuance de melódicos sons.
Pelo rastro claro de um vetor
Desperta-me do profundo estupor.
Através da densa selva de rostos
num sutil relance de descuido
dois pares de olhos atentos
ao brilho intenso e profundo.
Toda sensibilidade feminina
Pronta a me rasgar a retina.
À beleza destes cabelos anelados
dedico esses versos desajeitados.
quarta-feira, setembro 18, 2013
Dias mais;
dias menos.
Tanto faz
mais ou menos.
Pedes paz
eu, veneno.
Queres beijos;
mais gracejos;
seus desejos.
Meus sinceros
bocejos.
Conversa vazia;
Frias palavras.
Seu rosto trazia
tristezas. Das raras.
Enquanto eu dormia,
em lagrimas estavas.
Insônia, letargia.
Demencia, narcolepsia.
Câncer, alergia.
Seus longos ataques
de histeria.
Hoje, vais.
Eu, asceno.
Tanto faz;
Corte ameno.
Tive paz.
Tu, veneno.
dias menos.
Tanto faz
mais ou menos.
Pedes paz
eu, veneno.
Queres beijos;
mais gracejos;
seus desejos.
Meus sinceros
bocejos.
Conversa vazia;
Frias palavras.
Seu rosto trazia
tristezas. Das raras.
Enquanto eu dormia,
em lagrimas estavas.
Insônia, letargia.
Demencia, narcolepsia.
Câncer, alergia.
Seus longos ataques
de histeria.
Hoje, vais.
Eu, asceno.
Tanto faz;
Corte ameno.
Tive paz.
Tu, veneno.
sexta-feira, junho 21, 2013
My Bar
The bar
the lights
my silent sighs
are not enough to fill my heart
We drink, in vain,
another strain,
to stop the flow
of all our thoughts
Anonymous we are in night
the lonely ones
the incontent
we watch the laughs
of other ones we wish were ours
those happy hearts
the lights
my silent sighs
are not enough to fill my heart
We drink, in vain,
another strain,
to stop the flow
of all our thoughts
Anonymous we are in night
the lonely ones
the incontent
we watch the laughs
of other ones we wish were ours
those happy hearts
domingo, junho 09, 2013
Obsessão
Seus estranhos modos
permaneciam rudemente escondidos.
Quase um incontrolável sentimento,
gentilmente oprimido.
Zunindo alto rumo seus
ofegantes bloqueios.
Resistindo, exaustivamente.
Sem exageros, uma bomba!
Esperando letargicamente.
Obsessivamente contido.
Odiosamente reprimido
pelo orgulho.
Resista o quanto puder...
sábado, junho 01, 2013
Floresta Negra
“Abrindo caminho
em meio aos arboredos
caminha sozinho
ele, e seus medos
neste trajeto,
estará o fim perto?”
“Veja como anda sôfrego
O homem na floresta.
Parece estar cego
Fugindo daquilo
que detesta.
O vento agita as folhas
Que caem de velhas.”
“Desconhecido caminho
Eu ando
indeciso
No chão em que eu piso
E sequer
adivinho
Para onde
estou indo
E se deveras
sou bem-vindo”
“Caminhe, jovem
viajante
Caminhe pois é longo o caminho.
O que lhe
aguarda adiante
É protegido por espinhos.
Até lá, admire com clareza
Da floresta, a
beleza.”
“Será que vale a pena
Todo esse
andar?
Dizeis que
espinhos há
Vão eles me matar?
Há monstros nesta trilha
Que todos
chamam vida?”
domingo, abril 28, 2013
Amigo poeta
Amigo poeta
de vida discreta
tens de viver
tendes a ver
belas palavras
em meio a várzeas
porém para tanto
é que eu sempre ando
e te digo agora
vá mundo afora!
Sai a bailar
admire o luar
sai pra dançar
ou senão pra falar
faça outras coisas
diferentes escolhas
admire gotas
de água em poças
fala com gente
Vá em frente!
de vida discreta
tens de viver
tendes a ver
belas palavras
em meio a várzeas
porém para tanto
é que eu sempre ando
e te digo agora
vá mundo afora!
Sai a bailar
admire o luar
sai pra dançar
ou senão pra falar
faça outras coisas
diferentes escolhas
admire gotas
de água em poças
fala com gente
Vá em frente!
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